Arquivo | julho, 2011

O Concerto

29 jul

Le Concert (2009), do diretor romeno-francês Radu Mihaileanu (O Trem da Vida, Um Herói do Nosso Tempo), retrata o esforço de Andrei Filipov, conhecido como “O Maestro”, em reunir o seu antigo elenco da reputada Orquestra do Teatro Bolshoi para um grande concerto em Paris.

No início da década de 1980, Filipov, então maestro do Bolshoi, recusou-se a seguir a política do regime de Leonid Brejnev, mantendo os músicos judeus em sua orquestra. Como resultado, foi destituído de seu cargo, tornando-se o faxineiro do teatro. Ao interceptar um fax, se vê diante da oportunidade de realizar um concerto de Tchaikovsky no Teatro Châtelet, em Paris, tendo uma grande solista francesa (Mélanie Laurent, Bastardos Inglórios) como convidada especial.

Ao mostrar o maestro e seus amigos nesta empreitada em busca de uns euros, O Concerto fala das dificuldades vivenciadas pelos grandes talentos russos, em meio às mudanças pós-soviéticas que significaram o fim do apoio estatal à cultura, mas também fala de um homem em busca de seu sonho e de uma moça em busca de seu passado.

Minha nota: 5/5

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O Bem Amado

28 jul

O Bem Amado (2010), do diretor brasileiro Guel Arraes, é a refilmagem para o cinema de um clássico da teledramaturgia brasileira.

Marco Nanini é Odorico Paraguaçu, o mitológico prefeito de Sucupira, eleito com a promessa de construir o primeiro cemitério municipal, que enfrenta uma grave crise em seu mandato: há mais um ano no poder, ninguém morre para que possa inaugurar a obra.

Assim como em outros filmes do diretor de O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, O Bem Amado tem diálogos cheios de boas tiradas e sotaque nordestino, e ainda frases e personagens memoráveis da história da televisão nacional em um visual colorido similar às histórias em quadrinhos e aos desenhos animados.

Minha nota: 3/5

Três Homens e Uma Noite Fria

28 jul

Kolme viisasta miestä (2008), do diretor finlandês-carioca Mika Kaurismäki, retrata três velhos amigos, que há muito não se encontram, passando juntos a noite de Natal.

O filme assemelha-se a uma peça de teatro, com seus poucos personagens e seu quase único cenário. Erkki, Matti e Rauno, por diferentes motivos, não têm companhia para o feriado e, devido a obras do acaso, acabam reunindo-se para beber em um bar de karaokê.

Sentados à mesa, conversando sobre a vida, os assuntos profundos e as besteiras, os amigos nos lembram que a essência humana é uma só. Nossas questões são as mesmas, mesmo que estejamos na gelada Finlândia, falando em um idioma que se assemelha ao sueco com sotaque russo.

Minha nota: 3/5

Assalto ao Banco Central

27 jul

Assalto ao Banco Central (2011), do diretor brasileiro Marcos Paulo, traz para o cinema a história real do maior assalto a banco do Brasil.

Além de Milhem Cortaz (Tropa de Elite) em seu tradicional papel de canalha, participam Lima Duarte, Giulia Gam, Eriberto Leão, e outros atores, num vasto elenco que é apresentado ao espectador em clima de Onze Homens e Um Segredo. Pena que tantos personagens sejam explorados de maneira tão superficial, sendo dedicada atenção um pouco mais profunda apenas aos policiais.

É importante que a indústria do cinema nacional esforce-se cada vez mais a produzir filmes de temática variada, contando episódios da história recente do país. O cinema sempre foi, e deve continuar sendo, usado como grande formador de memória.

Assalto ao Banco Central, entretanto, cai em uma corriqueira armadilha: tentar agradar a todos os públicos, misturando aventura, comédia e até um pouco de causas sociais, podendo focar apenas em um gênero e transformar-se em um grande filme de entretenimento.

Minha nota: 2/5

Você Não Conhece Jack

26 jul

You Don’t Know Jack (2010), dirigido por Barry Levinson (Rain Man, Bom Dia, Vietnã) para o canal de televisão HBO, conta a história do médico americano Jack Kevorkian, também conhecido como Doutor Morte.

Kevorkian ficou famoso por defender publicamente o direito de pacientes terminais optarem por morrer, dando fim a seu sofrimento e àquele imposto às suas famílias. Ao ajudar mais de cento-e-trinta pessoas através de técnicas de suicídio assistido, angariou o apoio de muitos, e o ódio de outros tantos.

Além de Al Pacino, Você Não Conhece Jack conta com um elenco de grandes atores, como Susan Sarandon e John Goodman, e filme retrata sua trajetória, de filho impotente diante do sofrimento da própria mãe a símbolo da causa da legalização da eutanásia, através de todos os julgamentos e entrevistas de que participou.

Honestamente panfletário e crítico da posição arrogante do lobby religioso, o filme retrata as diferentes dimensões de um polêmico personagem: egoísta e solidário, médico e pintor, rude e poeta. E mostra os altos e baixos de sua trajetória de vida.

Minha nota: 4/5

The Sunset Limited

24 jul

The Sunset Limited (2011), baseado em peça homônima de Cormac McCarthy, dirigido e produzido por Tommy Lee Jones para o canal de televisão HBO, retrata o diálogo entre dois homens que, há poucos minutos, sequer se conheciam.

Ambientado de forma similar a uma peça, com apenas um cenário e dois atores, o filme todo acontece na sala do pequeno apartamento onde vive o personagem de Samuel L. Jackson, um ex-presidiário cristão evangélico, para onde este trouxe o homem que acabou de salvar do suicídio.

O personagem de Tommy Lee Jones, um professor ateu, tentou o suicídio jogando-se na linha do trem (o Sunset Limited do título), e tem bons argumentos para tê-lo feito. A partir daí, desenvolve-se o diálogo entre o homem de fé, crente e defensor da palavra de deus, e o homem da ciência, confiante no mundo material e intelectual, crente na cultura.

Ambos amargurados, encaram a vida de maneira diferente e tentam sinceramente fazer com que o outro entenda, ainda que não aceite, suas visões sobre o sofrimento humano, a (in)existência de deus e a validade do suicídio. E o espectador é convidado a oscilar sua empatia entre as motivações e os argumentos de um e de outro.

Minha nota: 4/5

Mr. Nobody

21 jul

Mr. Nobody (2009), primeiro filme em língua inglesa do diretor belga Jaco Van Dormael, alterna entre a ficção científica (no presente, o ano 2092) e o drama (no passado, a virada do século XX pro XXI).

À beira da morte, acompanhado ao vivo em um reality show, o último humano mortal está sendo entrevistado, contando os fatos da vida antes da revolução científica que extingüiu a morte, o sexo e outras prerrogativas da vida humana como a conhecemos.

Em cima destes fatos, em uma série de flashbacks não-lineares, desenvolvem-se as histórias de suas três vidas, com três diferentes mulheres e três diferentes cores predominantes.

Como todo bom filme de ficção científica, demora-se um tempo até que se entenda as leis que regem o universo de Mr. Nobody, o que é agravado pela existência de três realidades paralelas, além do cenário onde o personagem está sendo entrevistado.

Mas é impossível não se envolver com os encontros e desencontros de Nemo e Anna, seu grande amor, a mulher-vermelho, além de todo o colorido do filme e sua alegre trilha sonora.

Minha nota: 2/5

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