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Intocáveis

8 dez

Intouchables (2011), dos diretores Olivier Nakache e Éric Toledano, foi o filme mais assistido na França no ano de 2011, e conquistou a maior bilheteria da história do cinema em línguas não-inglesas, em todo o mundo. E não por acaso: adapta para o cinema a história da bela relação profissional entre dois homens com presentes bastante distintos, mas cujos passados se assemelham, ainda que não a olho nu, através das dificuldades que enfrentaram.

Philippe (François Cluzet), um tetraplégico milionário está entrevistando candidatos à posição de enfermeiro, que inclui viver em sua mansão e auxiliá-lo em todas suas funções e necessidades ao longo do dia. Um dos candidatos, Driss, não almeja ser contratado. Ele espera por sua entrevista, apenas para conseguir um comprovante de que segue procurando emprego, o que lhe garantiria mais alguns meses de auxílio governamental.

Após uma tensa entrevista, que despertou o interesse de Driss pela secretária pessoal de Philippe, o milionário lhe oferece o emprego. Surpreendentemente, até para si próprio, Driss aceita ser treinado e passar por um período de testes. Naturalmente, as facilidades da vida na mansão o conquistam e facilitam o despertar do seu interesse pelo emprego, e pelo empregador.

À medida em que vão se conhecendo e se ajudando, Philippe e Driss passam a compreender os fatos de seus respectivos passados que os tornaram as pessoas que são atualmente e permitem-se influenciar um ao outro, impondo-se desafios e mudando suas vidas e suas perspectivas de mundo.

Intocáveis é uma bela comédia dramática francesa, ainda que não tenha traços pesados de nenhum dos dois gêneros. É um filme leve, com uma história cativante e personagem mais complexos do que se esperaria.

Minha nota: 4/5

A Separação

16 abr

Jodái-e Náder az Simin* (2011), dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi e premiadíssimo internacionalmente, narra o drama de um casal, cujas vidas estão caminhando em sentidos opostos, diante das limitações legais e morais de uma sociedade religiosa e um país teocrático.

Após 14 anos de casamento, a bela e independente Simin conclui que Teerã não é o lugar ideal para criar sua filha Termeh, de 11 anos, e decide morar no exterior. Diante da recusa de Nader, o marido, cujo pai sofre do Mal de Alzheimer e necessita de bastante atenção, a moça entra com o pedido de divórcio na justiça.

Influenciado não apenas pelo sistema político em vigor, mas também pelos tradicionais costumes locais, o juíz não considera suficientes os argumentos de Simin e nega-lhe o divórcio. Mesmo assim, ela sai de casa e volta a morar com seus pais, deixando Nader encarregado da filha e do sogro.

Por indicação da própria ex-mulher, Nader contrata uma moça bastante humilde e religiosa para ajudar-lhe com o pai. Embora constrangida pelo contato físico necessário para o trabalho, Razieh aceita a oferta mesmo sem autorização de seu marido.

Entretanto, ao chegar em casa com a filha e, na ausência de Razieh, encontrar o pai caído no chão, Nader se enfurece e, quando a moça retorna, se exalta, demitindo-a e expulsando-a de sua casa. Este incidente, cria um imbroglio legal envolvendo ambas as famílias.

A Separação não conquistou tantos prêmio à toa. Um Oscar e um Globo de Ouro, ambos na categoria de língua estrangeira, além de três Ursos do Festival de Berlim (Ouro para Melhor Filme e Prata para melhores ator e atriz) apenas constatam a qualidade de um filme em que não há personagens simples. Nada em seu roteiro é bidimensional, muito menos a sociedade iraniana, retratada de maneira surpreendente e bastante enriquecedora.

Minha nota: 4/5

* – título transliterado do original persa جدایی نادر از سیمین (A Separação de Nader e Smin).

Tempo de Matar

17 fev

A Time to Kill (1996), do diretor americano Joel Schumacher, reúne um elenco estelar na adaptação para o cinema do best-seller de mesmo nome do escritor John Grisham.

Após dois brancos racistas espancarem e violentarem sua filha de apenas dez anos, jogando-a viva no leito de um rio após tentarem deixá-la pendurada em um árvore, Carl Lee Hailey (Samuel L. Jackson, The Sunset Limited, Ameaça Terrorista) decide fazer justiça com as próprias mãos e os mata enquanto entravam no tribunal para prestar seus depoimentos preliminares.

Temendo um julgamento enviesado pelas questões raciais do sul dos Estados Unidos, Carl Lee pede ajuda ao jovem e talentoso advogado Jake Brigance (Matthew McConaughey, O Poder e a Lei, Contato) para encarar o ambicioso promotor Rufus Buckley (Kevin Spacey, Os Suspeitos, Se7en) em um caso que já ganhava a atenção da mídia nacional.

Enquanto Brigance é abordado pela estudante Ellen Roark (Sandra Bullock, Velocidade Máxima), que lhe oferece ajuda não-remunerada, Freddie Lee Cobb (Kiefer Sutherland, do seriado de televisão 24 Horas), irmão de um dos homens assassinados, reorganiza a Ku Klux Klan local e inicia uma série de violentos atentados contra pessoas e instituições negras e contra Brigance e Roark.

Tempo de Matar reúne características do mais alto thriller jurídico com as polêmicas e apaixonantes questões de direitos humanos e políticas raciais do século XX em um excelente filme.

Minha nota: 4/5

O Último Dançarino de Mao

13 jan

Mao’s Last Dancer (2009), do diretor australiano Bruce Beresford (Conduzindo Miss Daisy, Risco Duplo), baseado na autobiografia de mesmo nome do dançarino de balé chinês Li Cunxin, conta a trajetória que o levou a uma carreira profissional nos Estados Unidos.

Nascido no interior da província chinesa de Shandong, em meio à Revolução Cultural, o garoto franzino é descoberto em uma expedição de especialistas que buscam, em todas as regiões do país, talentos a serem lapidados pelo governo central na capital Pequim.

Separado dos pais e de seus seis irmãos, Cunxin passa a morar, estudar e ensaiar na Academia de Dança da Madame Mao, onde seu desinteresse e aparente falta de talento contribuem para aumentar ainda mais o sofrimento causado pelo extenuante treinamento e pelas saudades da família.

Após uma histórica visita de bailarinos americanos, Li Cunxin é escolhido para representar seu país em um programa de intercâmbio em Houston e, passado o choque inicial com o mundo capitalista, se integra ao ambiente e acaba por ser reconhecido como uma estrela.

O Último Dançarino de Mao é um belo filme sobre a emocionante luta externa e interna de um homem, abatido pela distância da família que não vê desde os onze anos, para libertar-se das limitações que o “balé político revolucionário” impõem à sua carreira.

Minha nota: 4/5

Cassino

21 nov

Casino (1995), do diretor americano Martin Scorsese (Gangues da Nova Iorque, A Ilha do Medo), baseado em livro de não-ficção de mesmo nome Nicholas Pileggi sobre um grande apostador judeu, contratado pela máfia italiana para coordenar o funcionamento de um cassino em Las Vegas.

Sam Rothstein (Robert De Niro, O Poderoso Chefão – Parte II, Ronin), conhecido como “Ace”, chamou a atenção dos chefões por sua impressionante performance nas casas de apostas. Contratado para ser o verdadeiro chefe do cassino Tangiers, mesmo sem ter uma licença obrigatória para tal, ele emprega todas as suas habilidades para dificultar o trabalho dos incansáveis trapaceadores que tentam burlar as regras da casa.

À medida em que tem sucesso e ganha fama, os mafiosos ordenam que seu velho amigo Nicky Santoro (Joe Pesci, Esqueceram de Mim, Máquina Mortífera) mude-se para Las Vegas, para garantir-lhe segurança. Paralelamente, Sam se apaixona pela prostituta Ginger (Sharon Stone, no papel que lhe deu o Globo de Ouro), com quem se casa, apesar de seu explosivo temperamento.

Cassino é um grande filme, não apenas por ter um bom roteiro, mas também por juntar um gênero de sucesso ao talento de Scorsese e de grande atores. O clima de tensão e moderada violência é contrabalanceado pela presença de Pesci que, mesmo que sutil e talvez inconscientemente, traz seus hilários trejeitos à película.

Minha nota: 4/5

Um Brasileiro no Dia D

14 nov

Um Brasileiro no Dia D (2006), escrito, produzido e co-dirigido pelo músico brasileiro João Barone, retrata a viagem do baterista dos Paralamas do Sucesso à Normandia, onde participou das comemorações por ocasião do 60° Aniversário do Dia D e, em paralelo, homenageia o seu único combatente brasileiro.

Barone conta de seu fascínio pela II Guerra Mundial, que o levou a comprar e restaurar um jipe militar da época e da realização do sonho de participar das reconstituições in loco das batalhas e das comemorações oficiais do desembarque aliado na costa francesa, que deu início à derrota alemã no Fronte Ocidental.

Uma entrevista com Pierre Clostermann, ás da aviação francesa nascido em Curitiba, ilustra a participação do aviador, o único brasileiro presente na operação, que estava sendo homenageado pela Força Aérea Brasileira com a Medalha do Mérito Santos-Dumont.

Um Brasileiro no Dia D diferencia-se da maioria dos documentários sobre o assunto (e não são poucos), ao não ser conduzidos por historiadores, militares ou especialistas, mas por um brasileiro entusiasta do assunto, que fala com paixão e um vocabulário leigo. Pessoalmente, é a união de um grande ídolo com um um tema interessante, que descobri compartirmos.

Minha nota: 4/5

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